Vivemos em um mundo de opostos. Certo e errado,bem e mal, visível e invisível, culpado e inocente. Mas com toda certeza o pior dos opostos está encarnado em: impunidade e injusta punição.
O Brasil está em crise. Uma crise política permeada por corrupção e decepção por grande parte da população organizada ou não. Especialistas afirmam que se trata de uma crise sem precedentes na história, mas tal afirmação é mentirosa.
O que não teve precedente foi o julgamento sumário que a imprensa brasileira fez.
É verdade que essa crise envolve supostamente muitos partidos, políticos, sombras que jamais aparecem à frente das câmeras, mas já tivemos crises similares e até maiores que essa que o Brasil enfrenta hoje. Tivemos crises no governo Sarney, no governo Collor de Melo que sofreu, inclusive, outra expulsão sumária. O governo Itamar, Fernando Henrique Cardoso também foi permeado por uma série de denúncias de corrupção. O que parece nos faltar nesses momentos de caos é memória.
Parecemo-nos como os velhos computadores com pouco espaço em suas memórias turvas. No governo FHC houve, inclusive, denúncias de graves irregularidades nas privatizações que o país sofreu, até hoje, por sinal, não explicadas à sociedade de maneira evidente, clara. Esse último governo tornou o país vulnerável aos mercados, e hoje, vem a público cobrar a tal vulnerabilidade e decência. O sujo falando do mal lavado, parece brincadeira, mas de fato acontece bem diante dos nossos olhares esquecidos.
A corrupção no Brasil atravessa séculos. Pode e deve ser datada desde o momento em que os portugueses desembarcaram no Brasil com suas caravelas exploradoras, em ambos sentidos. Estava lá, naquele momento histórico para essas duas grandes nações irmãs, uma demonstração grave de corrupção ativa e passiva. Em troca de espelhos e outras bugigangas os índios, primeiros habitantes tupiniquins, facilitaram a extração e deixaram escoar o pau-brasil que abasteceu por longo tempo a Europa.
Então, de fato, não podemos afirmar ser uma crise sem precedentes, pois rapidamente, citei alguns fatos verdadeiros, históricos que se deram na “tragicomédia” da vida política brasileira ao longo dos séculos. Mas podemos afirmar que o povo brasileiro está cansado dessa roubalheira que acontece há anos. E que esse mesmo povo está sedento por justiça, mas não a justiça que eles conhecem que é aquela que pune aos pobres e menos desprovidos de poder e acoberta os ricos e poderosos. Alias a população em muito poucos casos, para não dizer nenhum, viu a justiça externada e estendida em sua direção.
Pouco tempo atrás eu vi na televisão uma reportagem sobre um homem, pai de uma criança que foi preso por não pagar a pensão alimentícia, segundo os jornais que divulgaram amplamente o caso. (talvez pela situação do país que não garante nem oferece as condições dignas que estão asseguradas na constituição brasileira, essa por sinal, deveria ser rasgada, pois se não conseguimos cumpri-la para que sua existência diante desse caos) Preso, passando as humilhações que apenas podemos supor, na cadeia foi convocado pelos bandidos a participar da rebelião que estava acontecendo na penitenciária onde ele estava preso.
Veja bem, preso por não pagamento de pensão alimentícia junto com criminosos perigosos. Enquanto os bandidos dos colarinhos brancos têm direitos a quartinhos na carceragem da polícia federal, visitas de parentes e advogados a qualquer momento. Isso é o que me revolta ou a justiça é para todos ou não será para ninguém.
O estado que deveria assegurar sua integridade não o fez, ele morreu brutalmente assassinado por não participar da arruaça cometida pelos criminosos. Morreu por viver em um país onde a justiça não é cega como deveria ser.
Pois a justiça em nosso país, há séculos, infelizmente, enxerga e enxerga muito bem, enxerga cargos, ternos, contas bancárias, oferecendo aos bandidos de primeiro escalão hábeas corpus, que permitem mentiras e mais mentiras diante dos investigadores.
E esse ano ainda tem eleições, grande coisa, falam que o povo precisa aprender a votar, aprender a reivindicar os seus direitos, a cobrar justiça.
Aprender? Aprender como? É difícil explicar a alguém o gosto de algo que a pessoa não conhece. E essa é a mesma dificuldade que eu teria em explicar o significado da justiça ao povo brasileiro, já que os brasileiros nunca sentiram o sabor da palavra justiça.
Escrito por Ivan e Laís. às 16h16